sábado, 30 de maio de 2009

* Se tudo que eu falo pra ti são espinhos e o que faço pra ti são lanças, vejo em tuas feridas pontos finais. Sinais pra não falar ou fazer mais. Por isso o ponto.

* Se anulam prós e contras. O saldo é zero. O começo e o fim se aproximam, se unem e se beijam, como num filme.

sábado, 23 de maio de 2009

* Eu caminho. Ás vezes sozinho, ás vezes acompanhado. São trilhas cuidadosamente abertas nesse campo de gramados altos. Por vezes te vejo seguindo rumos distantes dos meus, mas vejo a ponta da tua cabeça, ao longe, me tranqüilizando, por estares logo ali. Observo tuas escolhas e jamais me oponho a nenhuma delas, mas comemoro quando elas levam o teu caminho de encontro ao meu, mesmo que por segundos.

* Minhas mãos ocupam meus bolsos para que tu não tenhas tentação de te deixar levar por elas. Minhas mãos vão te levar por caminhos que tu não vais gostar de percorrer. É que eu me vou por lamaçais, manguezais e, por inúmeras vezes, já me perdi em florestas das mais altas sequóias, de ramos tão frondosos a ponto de fazerem com que os raios de sol desistam de mergulhar no chão. E eu preciso de duas mãos pra escalar todas essas montanhas que se aproximam ao norte.

* Desses cumes posso te ver caminhando, por muitas vezes de mãos dadas com outros passantes, nem que seja só pra pedir informação. É tudo tão triste, quando visto daqui de cima... são tantas almas solitárias de mãos cerradas, são tantas pegadas apressadas de gente que não sabe aonde quer chegar, tanto desespero nessa procura cega pelo que não se sabe o que é, mas que tanto se quer, que eu fico pensando se vale a pena voltar.

* Talvez tu nunca venhas a entender, mas eu já estou acostumado com a minha condição de incompreendido. É que tu não sabes como é frio o lugar de onde eu venho. É que tu não sabe como dóem esses pontos ainda não-cicatrizados. É que não se passa pela tua cabeça que, toda vez em que abro meus braços, sinto esses pontos hesitando em permanecerem fechados, sinto as costuras esgaçadas, sinto o ar que faz arder minhas entranhas, sinto a dor de afogar denovo naquele mar salgado que por tanto tempo me privou de cravar os pés em terra firme. E hoje eu tenho um medo enorme do mar.

* É quase manhã, fraz frio, e não há sol que seja capaz de derreter todo esse gelo antes da noite chegar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Se estas paredes falassem.

Se estas paredes falassem, se contassem cada vez que me vi de joelhos na escuridão, com medo de levantar e fitar na penumbra meus olhos no espelho dizendo que não, não pode ser verdade... mas é tanta maldade jogar na fogueira o meu coração, por sentir não ter forças pra calar essas bocas e afastar os dedos de minha direção. Asas fracas não me deixam voar e eu não me lembro de pedir pra você ficar e arrancar carne de meu peito com tanto ódio e gritar, pra eu me excluirde teu mundo. Já não sei mais há quando tempo não vejo o sol com meus próprios olhos, já não sei mais se é por medo ou se esqueci como olhar pra fora. Portas frias me deixam sem ar, e ninguém me ouve bater pra abrir e me ajudar e eu não quero mais viver com medo ou vergonha de respirar, de existir ou beijar teus lábios.. se estas paredes falassem, se contassem cada vez que sonhei viver em outro lugar onde Marte ama Marte e Vênus pode passear de mãos dadas com Vênus sem se preocupar com o vento covarde que me deixa até tarde com medo e sem saber se você vai voltar... será que estou errado por querer estar ao teu lado, em jardins onde as flores não envenenam o ar?

(Se estas paredes falassem - Dance of Days.)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quando, com um passo, tu ficas dois passos mais distante, é porque ela também está indo embora.

É aí que tu começas a pensar nesses laços invisíveis que nos amarram uns aos outros. Que tamanho eles podem ter? Podem continuar apertados mesmo quando suas pontas já não mais ocupam o mesmo lugar? Sentes um fisgão nos pulsos quando abraças outro alguém?

Livra-te dos laços. Não falo de cortar. Podes desamarrá-los com o mesmo carinho que tiveste quando os tornaste apertados como braçadeiras. Lembra-te de que laços não são algemas.

Agora divide essa corda e presenteia quem tu quiseres com esses pedaços. Eles são pequenos o suficiente para não virarem nós? Perfeito.

domingo, 10 de maio de 2009

Nem tudo é como a gente quer.

No entanto, isso não quer dizer que não é tudo que precisamos. Muitas vezes, essas coisas que a vida nos coloca pelo caminho são bem melhores do que a gente esperava. Veja bem, a hora mais bonita do dia é aquela em que o céu fica vermelho, e não azul. As mais belas noites são aquelas poucas em que a lua pega emprestada quase toda a luz do sol e a gente não precisa de lanterna pra caminhar. Exemplos não me faltam: a gente só ama o frio porque pode se envolver em mil casacos e cobertores, bem como agradecemos pelo escaldante sol de verão somente após mergulharmos num mar gelado.

Eu posso não ser o que tu esperavas, mas a gente não escolhe o que quer sonhar quando coloca a cabeça no travesseiro. E que atire a primeira pedra quem não gosta de sonhar aqui. Eu posso não ser o que tudo que tu precisavas, mas a gente vive e morre sem saber do que realmente precisamos. Eu posso não bastar. Então que baste o amor.

Eu posso não ser um monte de coisas, mas tenho certeza de tudo aquilo que sou: um céu vermelho, uma noite de lua cheia, um cobertor e um banho de mar, e tudo o mais que tu quiseres viver junto de mim.

Enche teus pulmões, pois tu vais precisar de todo o ar que eles puderem conter.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Essa dor que tu sentes, esse sentimento que te desliga do mundo, que te coloca em contato apenas com mil fantasmas, mil medos e mil coisas que tu não querias ver... não foi feita pra te derrubar. Ela existe apenas pra ilustrar a quantidade de passado que estamos colocando na mesma sacola. Nosso passado. Ela existe apenas pra te lembrar o quanto de história nós vivemos, caso venhas a esquecer tudo isso, novamente. Eu sinto a mesma dor, mas foi de tanto sentir que aprendi as coisas que hoje te escrevo. Aprendi que é ela, a dor, quem te faz ser importante. É ela, a dor, que cresce exponencialmente todo dia, pra que haja espaço pra ti dentro de mim, quando ela vai embora (mas nunca é pra não mais voltar). E quando teus olhos brilharem perto de mim o bastante para te alcançar com meus braços, tu vais esquecer a dor, a espera que machuca, as coisas tu fizeste achando que iria me agredir, e todas as feridas serão curadas. Um novo coração pra sentir tudo aquilo denovo, só que de forma mais intensa, mais duradoura, mais viva. A dor, sua mais nova amiga.

Alguma solidão, alguma desilusão é necessária, pra que saibamos onde estamos, o que sentimos e o que queremos. E provocar uma desventura dessas na vida de outra pessoa às vezes torna-se primordial, pra que saibamos o quanto valemos e o que significamos. Welcome back.

terça-feira, 5 de maio de 2009

eclipse

(..) Você não entende. Você pode ser bastante corajoso ou forte para viver sem mim, se for o melhor. Mas eu jamais poderia fazer esse sacrifício. Preciso ficar com você. É só assim que posso viver.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

* Quando tento de ti me aproximar em sonhos, é que acabo surgindo em outros lugares, cada vez mais distantes de onde quero estar. Pergunto-me o porquê dessa indesejada distância e, antes de terminar o questionamento, eis que te visualizo a uma distância enorme, que eu não saberia quantificar.
De muito longe, passo a acompanhar com os olhos o rumo dos teus pensamentos pelo céu escuro de estrelas escondidas pelas luzes de postes e prédios. Eles chegam até mim e desviam no último momento. Sobrevoam, dão voltas ao meu redor, sopram sussurros pela minha nuca, mas nunca encostam em mim. Fogem ao meu toque, escorregam por entre meus dedos... teus sonhos não são meus.
A madrugada avança até que um desses espectros pára de repente ao meu lado, e me chama pra passear. Dentro do teu sonho, voando na velocidade da luz até o teto do teu quarto, onde pairo a centímetros da tua face, respirando baixinho pra não te acordar, eu fecho os olhos.
O telefone toca me acordando, fim do meu sonho. Não é ninguém. Estou muito mais perto de ti, agora, mas entre nós ainda existe uma centena de paredes, uma dezena de dúvidas e uma só saudade.